Eles se conheceram num lugar pouco provável, numa reunião formal de trabalho, uma festa de confraternização de final de ano. Quem os apresentou? O único amigo que possuíam em comum, James.
Fred e Ana conversaram por um bom tempo, identificaram-se rapidamente e pareciam não querer parar de conversar naquela noite. Muito sem graça, Fred não quis pedir a Ana seu telefone, ficou sem graça, queria, mas ao mesmo tempo não quis logo de cara mostrar suas boas intenções. Foi-se embora. No dia seguinte, ao se encontrarem na empresa, Fred catou o telefone de Ana na lista de e-mails da empresa e fez uma ligação com a desculpa de tirar alguma dúvida.
Conversaram sobre o assunto sério, logo mudaram o tom da conversa e começaram a se tornar amigos. Até que um dia combinam um chopp, no qual James estava presente e cada vez mais trocaram olhares de interesse. Ao final, cada um vai para sua casa e no dia seguinte, Fred convida Ana para sair. Vão ao cinema e beijam calorosamente. Os dois sentem algo diferente acontecendo e ao terminar o filme, inventam algo para fazer, e acabam jantando. Depois do jantar o que fazer? Os dois curtiam muito aquele momento, não queriam ir embora, sair daquele carinho seria péssimo para os dois. Era a primeira vez que saíam juntos, mas as emoções estavam bastante fortes. O que explicava aquela ligação toda entre eles?
Fred, um rapaz de poucos amores, não se sentia tão confortável do lado de uma garota há muito tempo. Ele queria berrar ao mundo que estava apaixonado. Queria namorar, queria noivar, casar logo com aquela guria. Não via a hora de pedi-la em namoro, até que subitamente ele a chama seriamente:
- Ana, não podemos continuar saindo.
- Por quê? O que aconteceu, fiz alguma coisa de errado?
- O problema é esse. Já conheci muitas mulheres, mas como você é diferente, não consigo a ver apenas como uma “amiga”, você não é mulher de ficar. Como estou novo na empresa, não acho que seja certo termos algo agora.
Ana entendeu o recado. Era tudo o que queria escutar, apesar de saber que as coisas não seriam tão fáceis assim, já James era muito mais do que um amigo ciumento, mas mesmo assim ela continuou o momento:
- Ah, não é? Então sou o quê?
- Ana, paremos por aqui, vamos para casa e amanhã nos falamos... estou confuso, não quero e confundir ainda mais...
- Não há confusão. O que você não quer falar pode ser exatamente o que quero ouvir. Se você sente algo, essa pessoa merece saber... Os sentimentos só existem de uma para outra pessoa e, por isso, também mereço saber.
- Eu estou completamente apaixonado por você. Acho que você é a mulher da minha vida! Quero que você seja minha namorada, agora!!
Ana, após tal declaração, havia lapidado seu maior defeito, a vaidade. Aquele rapaz era legal, mas aquela declaração tão rápida acabara com os desafios pelos quais, sim, ela era apaixonada.
- Fred, entendo, mas infelizmente não podemos continuar. A verdade é que acabei de ter um caso com James, e você sabe, ele é casado. Eu me apaixonei muito por ele e, mesmo depois de três anos de promessa, a separação não saiu. Você é um rapaz de ouro, seria capaz de me apaixonar por você, se seu amigo não fosse o amor de minha vida.
Fred tremeu. Raiva, ódio, amor... Um ciclone de sentimentos o abalou por quase sessenta segundos. Ele não sabia o que fazer. Um balde de gelo? Uma porta na cara? Uma facada pelas costas? Qual seria a melhor descrição para aquele momento? Nunca havia se apaixonado tão intensamente em tão pouco tempo. Nunca havia se jogado num amor de maneira tão leve, submissa e confiante.
Voltando a si, ele nada mais falou. Foi ao carro, deixou a donzela em casa, e foi até praia vermelha refletir. Lá chegou, comprou um refrigerante com um camelô e sentou em um banco para começar a conversar com o mar, seu maior conselheiro. Olhando para as ondas seus pensamentos eram os mais variados possíveis:
“É, fui usado. Fui vítima da maior das vaidades! Não, não fui vítima, ela sim foi. Continuo minha vida, tenho um amigo no qual confiar, tenho muitos amores peã frente. Coração livre e o mundo a conhecer. Eu a perdôo. Não, o que é isso? Eu a agradeço, pela primeira vez me joguei numa paixão. Não sabia que existia isso eu mim, me sinto até mais humano”.
- Ei, amigo, outro refrigerante Zero.
- Acabou! Serve Mate?
- Não. Sabe de uma coisa? Está tarde. Vou nessa! Um abraço e boas vendas.
3 comentários:
Pô! Nosso gênio da estatística no mestrado é um escritor de contos românticos.
Eu melhoraria o final. O texto é muito bom até que perde o sal no fim.
Quando o Fred tremeu eu jurava uma reação Rodriguiana, mas simplesmente nada aconteceu. Isso talvez possa frustar alguns leitores.
Abraços e sucesso nos escritos!
Pois eh, pelo menos essa moça teve a oportunidade de saber o motivo pelo qual não daria certo, ele tentou se explicar, seu satifação.
Vc sabe, h´´a pouco tempo, menos de uma semana, aconteceu a mesma coisa comigo, e no que deu? em nada, nem pizza. Puxa , nao entendo, devo ser muita chata ou sei lá... não tem que ter explicação. Só sei que foi muitooo bom, saber que a paixão estava dentro de mim, exatamente como vc falou no texto.
Sim, estava apaixonada....
Faria tudo de novo, não me arrependo.
Escreva mais sobre amor, adorei esse texto. Tente explicar o pq dos homens sumirem do nada...
Beijos,
Larissa
será que qainda encontro um desses numa reunião formal de trabalho? hehehe guess whho
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