QUASE ARTE

nhamm nhammmmmmmmm!

terça-feira, 25 de março de 2008

Amigos doem, mas não machucam

Aproveitando o tema amizade, trago um texto que está no meu antigo blog.
21/08/2007 21:08

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Este dias passei por algumas situações e comecei a refletir sobre amizade e aquilo tudo tipicamente feito por amigos. O que será coisa de amigo? Festas, atenção, aquele ombro amigo, palavras de confiança, com certeza, isso sim é papel dos amigos. Obviamente a amizade está ligada aos bons momentos da via, com amigos compartilhando. Dos lados ruins também, quando esses são as fontes de inspiração para solução dos problemas ou o porto seguro onde se pode sempre atracar.

Existem algumas frases feitas sobre amigos, como “os que colocam nas maiores enrascadas”, “é para essas coisas” e “aquele do lado esquerdo do peito”. Mas o que significa isso tudo senão o nosso bem-estar? E quando, em um primeiro momento, essa sensação não aparece? Quando nossos amigos nos trazem más inquietudes, desconfortos, em suma, aquela verdadeiro dor no ser, no eu mais interior. Quando parece que ele virou casaca e não se comporta como aquele ao nosso lado, pois se estivesse, não geraria o sofrimento, mas o prazer imediato.

Meu pai, desde quando eu possuía apenas meus 50cm de altura – e acredite, isso faz tempo – me fala que amigo é aquele que diz a verdade, que quer o bem-estar. Sempre me disse que era meu amigo, quando não me deixava sair com aqueles moleques mais “delinqüentes” que moravam na rua; quando não podia passear sozinho no alto dos meus 9 anos, mesmo com a plena certeza de que tinha capacidade e poderia dar inúmeros outros exemplos aqui, com a certeza de que cada um se identificará com, pelo menos, parte deles. Hoje eu confesso que isso me doía, não entendia, como pode ele gostar de mim, dizer que é meu amigo e não me deixar cair na diversão.

Felizmente, por mais paradoxal que pareça, a amizade nos trás um grande aliado: a dor. Como a que quando fazemos alguma coisa de errado, ele diz, sem nenhuma cerimônia: “você errou, não deveria ter feito isso”; quando estamos na direção de um prazeroso erro e vem a voz da correção: “as coisas não são por aí”. O que os amigos fazem conosco é simplesmente cuidar do nosso melhor. Fazem com que encontremos nossos caminhos corretos, que sigamos nossos valores, que desenvolvamos nossas potencialidades, quando não podemos enxergar.

Nestes momentos, percebemos apenas o prazer imediato, não levamos em consideração os riscos de um futuro não muito distante. Realmente a correção, privação dos impulsos mais imediatos, é uma fonte de dor, ainda mais quando esperamos o apoio daquele no qual sempre acreditamos. Assim, nossos amigos são as poucas pessoas que são capazes de nos fazer sentir essa sensação.

Mas não se pode confundir a dor com os machucados. Dores são sensações, experiências, que, mais cedo ou mais tarde, passa. Os machucados, por outro lado, são traumas, conseqüências que exigem tratamentos, que podem acarretar no mal funcionamento de outras partes e, que se não forem percebidos, podem levar à morte. Definitivamente, amigos não machucam, pelo menos de coração. Amigo que é amigo nunca deseja gerar tais traumas, pode até ser que ocorra, mas são raros os momentos.

O perigo dos machucados é que eles podem não se manifestar. Diria até que o machucado que dói muito é um machucado amigo, pois exige tratamento imediato. De maneira oposta, aquele que fica ali quietinho, no cantinho dele, crescendo, comendo pelas beiradas, ganhando força às nossas custas, é um inimigo dos mais avassaladores...

Quando alguém chega e nos fala algo que não nos agrada devemos parar e pensar, essas são palavras amigas? É difícil saber se elas doem ou machucam... mas o mais complicado é escutá-las sem doer e não saber se machucam...

Um comentário:

Dolfo disse...

Bacana Milber,

Eu tenho ele instalado aqui, tenho acompanhado as visitas. Acho bacana ver que este veículo quebra um pouico a mídia e nos permite divulgar palavras pelo Brasil e pelo mundo e até conquistar alguns leitores. Sucesso pra nós. Abraços!