QUASE ARTE

nhamm nhammmmmmmmm!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Aquela tarde

Éramos quatro naquela tarde chuvosa de inverno carioca: Tobias, meu amigo, Alexandra, sua namarada, Nany e eu. Aquele restaurante parecia nosso ou melhor, meu. Eu me sentia completamente descontraído em meio às várias taças de vinho, ótima conversa e, o melhor de tudo, a presença dela. Quem era aquela mulher? Onde estava ela que eu nunca tinha visto? Por onde eu procurava e não achava, logo ali, ao meu lado, perto do antigo trabalho, amigo de amigo?

O plano inicial da tarde era apenas um filme com o amigo, mas ele já havia marcado com a namorada, mas que tinha que dar atenção à amiga que passava por uma crise no casamento. Uma divisão que parecia não gerar restos, parecia tudo arquitetado por grandes planejadores, aquela tarde para os quatro amigos.

Encontrei-me com Tobias perto de sua casa, parei meu carro e fui com ele até sua namorada. Naquele momento ambos me perguntam se eu me inocomodaria com a companhia daquela amiga, a Nany. Claro que não, logo respondi, e eles, mesmo assim, ainda complementaram que ela era ótima e linda, além de ressaltar vários atributos que amigas impõem umas as outras. Eu já acostumados com essas histórias de blind date abstraí, mas tinha a certeza de que seria uma tarde divertida em amigos.

Mas ao chegar na porta de sua casa, vendo-a vir de longe, logo percebi que ela era tudo isso, sim! Cabelos ao vento, andar sinuoso, semblante amável... Quando ela entra no carro, vejo seu belo sorriso, perfume capaz de atrair as mais silvestres das abelhas, além de lábios esculpidos milímietro por milímetro... Coitado de mim, mal falei com ela de tão afogado que estava por causa das ondas de charme que ela emanava. Pareci um tolinho, dizendo apenas um "oi".

Chegamos ao restaurante, depois de uma incursão sem sucesso ao cinema, um programa alternativo para pessoas que apenas queriam se divertir. Resolvemos apenas degustar uns tipos de vinho existentes... depois de alguns momentos, já conversávamos tranquilamente, como velhos amigos e Nany, reclamava do subto rompimento de seu casamento, estava triste, disposta a dar o troco no seu, naquele momento, ex.

Não imaginava ter qualquer chance, não tinha pretensões, até que no meio da conversa ela fala de um sinal que possui na perna, puxa levemente sua saia e desliza meu dedo suavemente sobre a marca... Ao tocar sua perna, senti um raio eletrocutando meu corpo, foi uma explosão química jamais sentida, uma harmonia de pele como nunca havia sentido. Naquele momento percebi que eu estava realmente envolvido com ela, que aquela seria uma candidata ao meu coração e que ela havia gostado de mim, claro, como pessoa, o início de tudo.

Mas aquele começo foi apenas o fim. Saímos juntos do restaurante e, apesar daquela admiração recíproca, a deixei em casa e fui para minha. No dia seguinte, ainda extasiado com aquele quase amor platônico... Eu não tive coragem de tentar sequer um beijo... Ela ainda vivia seu casamento, estava sob efeito da raiva e qualquer tentativa minha ali iria me fazer um pé descalço sem chinelo, um Popeye sem Olívia, enfim, um amante sem amor. Eu não a desejava por uma noite, mas por uma vida inteira. Não a queria em um beijo, mas de alma inteira. Não quis ser um bom menino, apenas não queria trair o meu coração.

No dia seguinte, contrariando a previsão dos três amigos, ela voltou para seu marido, com um perdão digno dos melhores católicos e uma felicidade maior que seu próprio coração. Concluí que eu devo mesmo é admirá-la, tanto por causa de sua beleza, quanto por conta de sua integridade e capacidade de amar, que fazem dela uma mulher mais linda ainda. Hoje eu fico com as lembranças e admirações daquela tarde.

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